O conceito de triângulo dramático foi uma das teorias que eu aprendi que melhor eu decorei, de tamanha sua aplicabilidade para aprender como lidar com conflitos no trabalho em equipe e recorrência em nossas vidas. Esse é um esquema que fala de relacionamentos tóxicos e prejudiciais, tanto em nossas vidas pessoais quanto profissional.

Sério, ele é muito comum. Vamos aprender a reconhecê-lo, evitá-lo e como sair de um triângulo dramático.

O Triângulo Dramático, ou Triângulo de Karpman, retrata situações de comunicação problemáticas, quando há conflitos por conta de um jogo de influência negativo. O triângulo implica numa conexão e interação entre três papéis: vítima, vilão e salvador. Tem outros textos que falam de perseguidores ou herói.

Aprender sobre o triângulo dramático vai te ajudar, e muito, em como lidar com conflitos no trabalho em equipe e a evitar que tensões entre a equipe sejam lidadas de uma maneira tóxica, pouco produtiva e que gere ressentimentos entre a equipe.

Conhecendo o triângulo dramático para aprender a como lidar com conflitos no trabalho em equipe:

O triângulo dramático de Karpman é um jogo psicológico, um cenário praticado de forma inconsciente e que pode ser repetido ao longo da vida sem que a gente esteja ciente disso. O jogo psicológico é um sistema de comportamento tão imbuídos e habituais que eles parecem naturais. Num relacionamento, seja de amizade ou de trabalho, por exemplo, se um dos atores escolhe um dos papéis do triângulo dramático, isso gera um gatilho automático para gerar as outras reações. É uma cadeia quase que inevitável. As pessoas manipulam e desenham seus papéis e dos outros.

Esse jogo psicológico nos oferece a escolha entre três papéis, que podem ser desconfortáveis, limitantes e dolorosos para o relacionamento em si. Muitas vezes, a maneira que saímos desse triângulo é simplesmente a extinção do relacionamento, ajudando-nos a aprender como lidar com conflitos no trabalho em equipe.

Os três papéis são:

A vítima é o papel da pessoa que se sente impotente e sem responsabilidades pelo que está acontecendo. Ela aguarda que alguém possa facilitar seu desconforto e melhorar sua situação. Quando você assume o papel da vítima, você esperar instigar pena nos outros. “Eu sou frágil e preciso ser ajudado”.

A vítima é mais auto-orientada, impotente e depende dos outros para resolver seus problemas e os da sociedade.

O perseguidor ou o vilão faz os outros sofrerem numa tentativa de canalizar seus medos e dores. Quando você tem o papel de vilão, você se impõe sobre os outros. “Eu tenho que dizer aos outros como agir porque eu sei o que é melhor e eu estou certo”. 

Já o salvador, ou herói, é quem vai resgatar os outros (mesmo que eles não tenham pedido). Muitas vezes isso acontece em detrimento dos outros. Quando você assume o papel do salvador, você tenta dominar e manipular os outros ao se fazer indispensável. “Os outros são fracos, eu preciso ajudá-los”.

O triângulo dramático foi nomeado assim por Karpman em relação ao que Eric Berne, pai da análise transacional, chama de os quatro mitos:

  • Eu tenho poder de fazer os outros felizes (salvador procurando por uma vítima);
  • Os outros têm o poder de me fazer feliz (a vítima procurando por um salvador);
  • Eu tenho o poder de fazer os outros infelizes (o vilão procurando uma vítima);
  • Os outros têm o poder de me fazer infeliz (a vítima esperando por um vilão).

Todos os três papéis no triângulo são dolorosos e fonte de conflito. Cada um de nós pode fazer qualquer um dos papéis dependendo do contextos e das pessoas interagindo. É essencial entender o que motiva cada papel antes de falar como lidar com conflitos no trabalho em equipe. Show?

Como o triângulo dramático funciona na prática?

Não importa muito a sua posição na empresa: seja de estagiário, de líder ou de diretor. Você poderá assumir inadvertidamente quaisquer um desses papéis. É tudo uma questão de como você está se enxergando naquele momento.

Dando exemplo rápido aqui: eu já fiz o papel de herói quando uma estagiária minha veio me falar sobre como uma pessoa tinha sido grossa. Aí eu fui até essa pessoa e perguntei “por que foi grossa com ela?”. Eu também já fiz o papel de vítima quando reclamei de uma pessoa para meu chefe, como se justificasse porque meus resultados não estavam indo tão bem. Aí meu chefe, assumindo a postura de salvador, vai até essa pessoa perguntar a razão daquilo. Percebe? O triângulo dramático acontece de muitas maneiras.

Nós constantemente vemos esse triângulo em casais, amizades e em relacionamentos de trabalho ruins. Essa estrutura está presente também nos contos de fadas e histórias de filmes de forma muito evidente: o vilão é claramente vilão e o mocinho é mostrado claramente como mocinho. 

Só que pode até ser que a pessoa reclamando nem queria conscientemente que você fosse salvá-la, só estava desabafando. Mas nós, do alto do nosso altruísmo presunçoso, vamos tentar resolver. Isso pode diminuir suas chances de entender como lidar com conflitos no trabalho em equipe.

Os papéis nem sempre são tão claros. E quando existe a troca de papel das pessoas é que os problemas começam a ficar ainda mais profundos. O salvador pode se tornar a vítima, o vilão o salvador e a vítima, vilã. É aí que o relacionamento fica mais difícil de ser diluído.

Como a gente acaba caindo em nossos papéis:

É o seguinte: o triângulo só “dá certo” porque todos tiram alguma satisfação de seus papéis, principalmente porque existe algum tipo de ganho momentâneo com isso. Sério, até o vilão.

Por exemplo, o papel da vítima atrai atenção dos outros, já o vilão tem a sensação de poder sobre as pessoas, enquanto o salvador cria uma imagem positiva sobre si mesmo. O vilão raramente se vê como vilão, obviamente, porque às vezes a pessoa pode se ver como a pessoa querendo fazer a coisa certa, mas a vítima não coopera. Então, é muito, muito comum de ouvir do vilão “eu estou tentando fazer as coisas funcionarem aqui” ou “eu sou muito honesto e falo na cara mesmo”. 

Essencialmente, o triângulo se instaura quando uma pessoa comenta para uma outra sobre uma terceira pessoa. Você pode assumir o papel de vítima quando, mesmo que sem querer, reclama ou faz uma queixa de uma pessoa para uma outra. Já o papel do salvador acontece quando você confronta uma pessoa sobre a outra sobre as suas atitudes o que aconteceu, tentando de alguma forma tirar satisfações. O papel do vilão só é criado quando existe uma vítima e um salvador tentando reclamar por justiça.

Você reparou? Não existe vítima sem salvador e sem vilão; não existe salvador sem vítima e sem vilão; e, claramente, não existe vilão sem vítima e sem herói. Para um papel nascer, os outros dois têm que surgir. Assim, fica mais fácil de visualizarmos como quebrarmos esse ciclo – ou como impedir que ele nasça em primeiro lugar.

8 maneiras de evitar entrar num triângulo dramático:

Melhor prevenir do que remediar, certo? Por isso, vou comentar aqui algumas formas de como lidar com conflitos no trabalho em equipe e evitar sequer cair num triângulo dramático. Lembre-se da dica vital: ele só é criado quando os três papéis existem e eles são criados ao mesmo tempo. 

A primeira dica é falar apenas do problema, se mantendo o mais próximo dos fatos, sem atacar diretamente ou fazer juízo de valores sobre as ações dos outros. Isso evita o uso de generalizações como “sempre, nunca, ou toda vez”.

É muito comum começarmos o processo de criação desse jogo psicológico quando fazemos juízos sobres as atitudes do outro, automaticamente colocando como errado, dizendo que ele sempre faz isso, que ele nunca respeita as pessoas ou que está sempre interrompendo. 

É melhor dizer “eu fui interrompido no meio de minha fala e temo que a autoridade tenha sido prejudicada perante os demais”, em vez de “ele sempre interrompe as pessoas e não deixa elas falarem”.

Por isso, a segunda dica é não falar sobre nossas emoções como se elas representassem a verdade absoluta. Seu sentimento é completamente válido sempre e eu encorajo muito que as pessoas se expressem, mas é importante de você também entender que você pode reagir emocionalmente porque interpretou mal algum caso.

Admitir que há a possibilidade de estarmos errado.

Por exemplo, no caso anterior, supondo que a pessoa (vítima) estava numa apresentação e ela foi interrompida pelo suposto vilão. Aqui, você tem total liberdade de ir comentar com uma outra pessoa sobre o ocorrido, faz parte da natureza humana.

Só que em vez de falar que aquela pessoa te tirou a autoridade e você se sentiu frustrado com isso, você pode ressaltar sobre como você tem medo de ter perdido autoridade perante seus colegas. Uma vez que você julga que aquele corte na sua fala representa um desinteresse da pessoa, a vilã, no que você tem pra falar.

Ou seja, aqui na sua fala, você admite que o que causou o seu problema é a sua interpretação do acontecido, e não que a pessoa que te interrompeu é inerentemente má. Claro, ainda assim, a melhor solução seria você ir falar diretamente com a pessoa.

Por isso, a terceira dica seria reconhecer seus erros. Como comentei, você pode ter suas opiniões e sentimentos, não estou aqui para contrariar isso, mas muitas vezes não é nossa função impor ou lutar para fazer o outro perceber quão errado ele está.

Ainda mais você na posição de líder pode ter que em diversos momentos abdicar dessa necessidade para atuar de fato no como lidar com conflitos no trabalho em equipe. Eu não quero dizer para você deixar de expressar seus sentimentos, mas sim mediar o melhor momento para que isso aconteça.

Como lidar com conflitos no trabalho em equipe sendo mais humilde.

O fato aconteceu, alguém foi culpado, alguém foi responsabilizado. Eu entendo a necessidade de se “dizer os fatos” como aconteceu. Só tenha cuidado porque, muitas vezes ao fazer isso, as pessoas leem como se fosse uma tentativa sua de se eximir completamente da responsabilidade.

De modo geral, a minha quarta dica é de evitar querer deixar claro como a outra pessoa é culpada, tanto para jogar os outros contra ela, quanto para fazê-la se sentir mal.

Uma alternativa é você dizer sua insatisfação sem soar hostil para com os outros. Você pode expressar sobre como você percebe que a coisa aconteceu, como você sente que aquilo te afetou e te afetará e o que você imagina que teria sido um melhor caminho.

Dessa forma, fica mais “evidente” que seu problema foi com a situação, não com a pessoa. Claro, foi a pessoa que agiu, mas pelo menos não soa como um ataque direito. Show?

Confronte diretamente as pessoas.

Eu cheguei a mencionar numa aula passada sobre a gente não ter medo de levantar tensões. Pois é. Para não criarmos esses triângulos dramáticos, a quinta dica seria em nos direcionarmos às pessoas que estamos nutrindo algum sentimento negativo. Assim evita de entrarmos num ciclo vicioso de criarmos cada vez mais uma visão negativa.

Não teorize ou construa histórias sobre as outras pessoas. Pior ainda será você comentar com outras pessoas sobre o que você acha que aconteceu. Esse é o primeiro passo para a criação desses jogos psicológicos.

Lembre-se: não haverá triângulo dramático se somente duas pessoas forem envolvidas.

Por final, como sexta dica: demonstre empatia. Será importante que você demonstre que você se importa para aprender como lidar com conflitos no trabalho em equipe. Uma coisa que eu sempre falo é que não importa muito você sentir empatia. Você tem que demonstrá-la. Certo?

Isso não significa que os conflitos estarão ausentes do relacionamento, mas que eles não se transformarão em jogos psicológicos. Eles serão vistos como oportunidades para aprender mais um sobre o outro e para construir um relacionamento autêntico e respeitoso.

O uso da empatia pra mim é uma arma de manipulação positiva, pois você acaba direcionando o relacionamento para um caminho mais frutífero nos curto, médio e longo prazos.

Como sair de um triângulo dramático com sua equipe.

A primeira coisa que você deve fazer é tentar identificar um pouco como que os papéis evoluíram e quem são as pessoas envolvidas. Claro, vale ressaltar que eu não estou aqui dando conselhos como psicólogo ou terapeuta. Acredito que, se você tá realmente num processo muito profundo de conflito, você definitivamente vai querer buscar ajuda. Mas aqui vão algumas dicas simples.

A melhor solução é abdicar do seu papel e romper o ciclo. Sem o herói, sem o perseguidor ou sem vítima, não existe triângulo dramático. São necessárias todas essas pessoas. Esses papéis se alimentam da existência do outro.

Se você estiver na posição de vítima, tome agência da sua vida e confronte a pessoa que você acredita ser seu perseguidor.

Se você se encontrou no papel de herói, lembre-se a diferença entre ajudar e salvar. A pessoa te pediu por ajuda? É um esforço compartilhado? A ajuda é infinita ou existe um limite de até onde você se envolve?

Se você está como vilão da história, tente comunicar o seu lado da situação diretamente com a vítima, sem expressar agressão ou autoridade, por exemplo perguntando como seria a melhor forma de vocês conversarem e tratarem o assunto.

O triângulo dramático pode ser uma situação corriqueira.

Todas essas alternativas dadas devem buscar reconciliar as necessidades de cada um e gerar uma perspectiva ganha-ganha para os lados, nos quais as pessoas reconhecem e têm as suas necessidades satisfeitas. Você precisará se comunicar com criatividade e autenticidade.

Ser capaz de falar com uma terceira pessoa atenciosa ajuda a encontrar clareza dentro de si mesmo; a questão aqui é você não esperar que ela aja para você ou que compre o seu lado. Esse é o princípio de praticamente todos os triângulos dramáticos e de como lidar com conflitos no trabalho em equipe. Da mesma forma, se você ver que alguém está tentando te defender precipitadamente, você pode intervir e dizer que se você achar que precisará de ajuda, você pedirá.

Como líder, seu papel provavelmente envolverá muitos triângulos dramáticos. E tá tudo bem, não significa que sua equipe é disfuncional por conta disso isoladamente. A maturidade da equipe vem quando ela percebe que isso está acontecendo e ela mesma se organiza para resolver. O seu papel como gestor no início será de ditar a melhor forma de fazer isso acontecer. Melhor do que isso, só dois disso.

O tesouro do artigo:

No final de cada artigo, apresentamos um resumo para refrescar sua memória e consolidar os aprendizados.

Recapitulando o que vimos nessa aula:

  • Entendemos um pouco melhor sobre o que é triângulo dramático: uma esquematização de um jogo psicológico que acontece entre pessoas, na qual três ou mais pessoas assumem esses papéis:
    • Vítima, que é a pessoa coitada e que está sendo injustiçada.
    • Vilão, a pessoa que persegue e judia da vítima, lhe causando sofrimento.
    • Herói, que é a pessoa que irá intervir em nome da vítima para salvá-la da vilã.
  • O maior problema do triângulo dramático acontece quando as pessoas param de se comunicar o problema começa a afetar cada vez mais gente, afastando os responsáveis de se comunicarem entre si. Isso vai piorando ainda mais o estágio de Confrontação da equipe.
  • A melhor forma de evitar que um triângulo dramático se forme ou cresça ainda mais é confrontando as duas pessoas supostamente nos papéis de vilão e vítima. Só elas podem resolver o caso.

Na próxima e última aula do nosso curso Liderança Eficaz, vamos abordar quais são as habilidades de um líder, assim você terá uma noção maior do que você deve focar. Na aula, haverá uma ferramenta de autoavaliação, para você conferir como está a sua posição perante o que líderes devem ser!


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Esse artigo é uma transcrição do conteúdo no YouTube, com algumas modificações para se encaixar no contexto de um artigo para leitura. Garanta que você se inscreveu no canal para acompanhar as aulas!

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Sempre olhe pros lados. Até o futuro!