em Desenvolvimento Pessoal, Pequenas Ideias

A expressão “inove ou morra” já é mais do que bem aceita no meio corporativo, certo? Inovação é uma das mais importantes fontes de vantagem competitiva e raramente precisamos justificar o porquê dessa necessidade. 

De 2010 pra cá, segundo minha memória, quando o assunto ganhou força pelo movimento de robotização, automação e big data, muita coisa mudou. Hoje, não falamos somente dela do ponto de vista tecnológico, mas incluimos design do produto, o desenho do nosso negócio e na própria prestação de serviço também. Inovar está nos processos, na maneira de atender os clientes e fazer o diferente para entregar uma experiência.

Já está claro, também, que pra inovar, não é necessário gastar rios de dinheiro. Podemos inovar simples, pequeno, mas de forma efetiva. Só que quais são as vantagens comprovadas da inovação? Eu dei uma revisada na literatura pra conseguir uma definição o que é inovação de fato, visto que existe tanta contradição, e também quais são os vínculos comprovados entre inovação e ganho de performance, produtividade, faturamento e afins – vamos ver o que eu encontro.

O que é inovação, afinal de contas?

Inovação é amplamente reconhecida como a chave para desenvolvimento econômico e crescimento das empresas, pois supostamente aumenta a eficiência, produtividade e aumenta a concorrência (vamos estudar mais à frente). Existem muitas definições na academia.

De acordo com Schumpeter, no estudo A Teoria do Desenvolvmento Econômico, publicado pela Harvard Economic Studies, a “inovação é a aplicação comercial ou industrial de algo novo, um novo produto, processo ou método de produção; um novo mercado ou fontes de suprimento; uma nova forma de comérico ou organização financeira”. 

Green Paper on Innovation, documento criado pela Comissão Europeia para promover inovação no continente, define o que é inovação como “a produção, assimilação e exploração com sucesso da novidade nas esferas econômica e social, oferecendo soluções para os problemas e, portanto, fazendo possível casar as necessidades de tanto o indivíduo quanto da sociedade”.

Interessante como nessa definição, a implementação com sucesso está bem clara. Interessante também ver que existe um prisma bem claro de “resolver um problema”.

Repare que esse conceito pode se referir a um processo, atributo ou mesmo um resultado final.

Em seu livro A Economia da Inovação Industrial, Chris Freeman comenta que a invenção é uma ideia, um rascunho ou um modelo para um dispositivo, produto, processo ou sistema novo ou melhorado. Já a inovação no senso econômico é alcançada apenas com a primeira transação comercial com o novo produto, processo, sistema ou dispositivo.

Para entender mais sobre de onde vem as ideias, deixo como indicação este artigo aberto intitulado Sources of Innovation, no qual o autor investiga as diferentes fontes e ferramentas da inovação e para a inovação acontecer.

Os ganhos comprovados de inovação:

Em um estudo feito no Vietnã, super interesse, conseguiu constatar usando 2 anos de pesquisa que a inovação consegue fazer os produtos e serviços mais apelativos em termos de características ou preço, ajudando as empresas em sustentar o seu market share ou mesmo ganhando novos consumidores. Contudo, leva-se mais tempo para aumentar de fato a lucratividade, tendo em vista que inovação é um processo custoso.

Além disso, o estudo descobriu que inovação aberta torna a inovação de produto e processo insignificantes individualmente. Isso acontece porque ela, apesar de ser de maior risco, traz maiores ganhos, sendo mais benéfica que as inovações fechadas.

Em mercados emergentes e para pequenas e médias empresas, quando se existe um menor orçamento para inovação, usar da inovação aberta é mais estratégico. Não esqueça de ler sobre o conceito de abundância. Esse conceito sobre o que é inovação aberta daria um artigo por si só se eu fosse escrever.

Leia também sobre As habilidades do futuro.

O papel da inovação nos ganhos financeiros da empresa:

Um outro estudo do MIT procurou entender qual a correlação entre ideias aceitas dos funcionários e o ganhos financeiros de 154 empresas, por 5 anos. Como essas empresas usavam o mesmo sistema de ideação, o resultado ficou uniforme. Os funcionários dispunham de um software no qual poderiam sugerir ideias, e elas poderiam ser aceitas pelos gestores. Essa relação de ideias aceitas por mil usuários era confrontada com taxa de crescimento do lucro e receita líquida

A empresa que mais tinha a maior permilagem de ideação por usuário era do setor de saúde: 500 ideias aceitas a cada 1000 usuários. Essa empresa teve crescimento de 6% em dois anos. Já sobre as empresas com menos de 100 ideias aceitas a cada mil usuários, metade delas nem sequer tiveram crescimento.

Contudo, vale notar que investir em pesquisa e desenvolvimento não é o caminho para inovação. Num estudo que analiza os gastos de P&D verificou que os países com os maiores gastos não necessariamente têm crescimento no PIB.

O mesmo pode valer pra empresas. Em 2005, a Apple foi eleita como a empresa mais inovadora do mundo. Sua receita cresceu quase 70% e seu lucro, 383%, em relação ao ano anterior. Enquanto isso, o investimento em P&D aumentou 9%. Já em 2016, a sua receita e seu lucro cairam 7% e 14%, respectivamente; enquanto isso, os gastos em P&D aumentaram em 25%.

Nos sete anos seguintes, o seu investimento em pesquisa cresceu 30%. Análise completa aqui.

Inovação e produtividade:

Um estudo feito com empresas alemãs do setor de manufatura com faturamento de até 50 milhões de euros e menos de 250 funcionários teve alguns resultados interessantes.

Enquanto 25% das pequenas e médias empresas estavam engajadas em atividades de inovação, esse número subia para 50% nas micro-empresas. Ainda chegaram à constatação que, mesmo sem investimentos diretos em P&D, essas micro-empresas gastavam indiretamente mais com inovação por empregado do que as empresas de outros tamanhos.

Já em termos de produtividade, essas micro-empresas estão em pé de igualde com as outras empresas no quesito de transformar inovação em produção de conhecimento.

Uma outra pesquisa que buscou entender a inovação baseada em tecnologia e inovação em processos com o aumento de produtividade chegou à conclusão de que o primeiro caso aumenta o output da produção de trabalho, já o segundo caso, o resultado é menor. Ou seja, quando se vincula nos processos de trabalho desamparada por novas ferramentas de informação e comunicação (TIC), o ganho de produtividade é marginal e não considerável.

Um relatório do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que busca o impacto do investimento em máquinas e equipamentos sobre a produtividade, constatou que a “inovação de produto novo para o mercado apresenta um impacto de 14,5% sobre a produtividade das firmas, enquanto a inovação em processo novo para empresa ou mercado apresenta impacto de 15,5%”. O estudo buscava entender a relação entre aquisição de novos bens tecnológicos, como o estudo anterior, mas notou-se que, ao introduzir uma nova máquina, novos processos deveriam nascer. 

Inovação na área de serviços:

Uma outra curiosidade minha tinha a ver com o fato de como aplicar inovação dentro da área de serviços e como ela poderia ser melhor direcionada.

Nesta tese de doutorado sobre inovação no setor hoteleiro, da FGV, o autor aplicou o conceito de capabilities – que representam a capacidade da empresa em utilizar os insumos de um processo organizacional nas suas atividades, ou seja, quando se cria o conceito de capability, você “isola” os recursos, deixando o processo mais evidente, conseguindo assim mapear inovações e mudanças no processo a fim de mensurar ganhos na produtividade.

O que foi constatado é que, quando se aplica o conceito de capabilities às rotinas de serviço, uma vez que tende-se a aplicar essa ideia ao processo fabril, conseguimos aplicar inovação de processo e verificar crescimento na produção (output) do serviço.

“Para o setor hoteleiro, ao invés de três fatores de primeira ordem – busca de novas tecnologias, desenvolvimento multifuncional de produtos e desenvolvimento de processos e equipamentos – e um fator de segunda ordem – inovação – encontrou-se apenas um fator de primeira ordem, que denominou-se de gestão de pesquisa e desenvolvimento.”

Uma terceira constatação da pesquisa foi, aplicando o conceito de capability, cria-se métricas claras de desempenho na área de serviços, o que permite um maior controle sobre o processo de inovação e melhoria contínua. 

Leia também sobre Qual o futuro das profissões.

O que isso significa pra mim?

No final das contas, focando principalmente para pequenas empresas de até 40 funcionários, você deve sim investir em inovação, mas não precisa se preocupar em grandes aquisições de ferramentas ou investimentos com ciência – claro que são sempre bem-vindos os dois, mas leve em conta seu orçamento.

O que você deve focar é na abertura em ouvir seus funcionários e implementar inovações dentro do seu processo, estudando metologias de inovação aberta, transformação digital, design sprint e buscando até mesmo soluções simples de software de startups, como já trabalhei na implementação do Pipefy na empresa que trabalho, por exemplo.

Inovação não é sobre revolucionar o mundo e ter grandes orçamentos, mas focar em ganhar produtividade e beber um pouco do conhecimento que já existe lá fora – ou mesmo dentro, com seus funcionários. 

Buscando esses conceitos listados e criando uma cultura focada em novidades, pode-se implementar inovação em produto, serviço, processso ou no modelo de negócio. Agora, falar sobre quais são os tipos de inovação existentes, como implementá-los ou de cultura de inovação, daria pra muito mais texto.

Tesouro do artigo:

Ao final de cada artigo, publicamos os aprendizados centrais para que você possa revisar.

Neste artigo intitulado “O que é inovação, afinal?”, vimos sobre:

  • Conceitos: segundo três definições, pode ser entendida como a criação, com fins comerciais ou não, de novo produto, processo ou método de produção
  • Inovação aumenta, sim, a lucratividade das empresas em um tempo considerável, não sendo imediato, pois ajuda a sustentar o seu market share ou mesmo adquirir novos clientes;
  • Contudo, não é gastar mais com Pesquisa & Desenvolvimento que aumenta faturamento. Portanto, podemos esticar que P&D não aumenta faturamento.
  • Inovação aumenta produtividade no trabalho, mesmo sem gastos grandes em P&D como no caso de micro-empresas. Inovação em processos atribuída com tecnologia tem maior taxa de aumento do output de produção dos funcionários.
  • A melhoria de serviços está atrelada ao conceito de capability, quando você isola o output e permite controlar a inovação.

Deixe um comentário!

Comentário